{"id":116691,"date":"2025-05-18T16:00:13","date_gmt":"2025-05-18T16:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/?p=116691"},"modified":"2025-05-18T16:00:13","modified_gmt":"2025-05-18T16:00:13","slug":"violencia-sexual-meninas-com-deficiencia-precisam-de-rede-de-protecao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/violencia-sexual-meninas-com-deficiencia-precisam-de-rede-de-protecao\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia sexual: meninas com defici\u00eancia precisam de rede de prote\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-116692\" src=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/whatsapp_image_2025-05-16_at_17.25.45.webp\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"359\" srcset=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/whatsapp_image_2025-05-16_at_17.25.45.webp 1170w, https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/whatsapp_image_2025-05-16_at_17.25.45-300x179.webp 300w, https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/whatsapp_image_2025-05-16_at_17.25.45-1024x613.webp 1024w, https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/whatsapp_image_2025-05-16_at_17.25.45-768x459.webp 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Quase 2,4 mil\u00a0crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia sofreram viol\u00eancia sexual no Brasil\u00a0em 2023.\u00a0<\/strong>Esse tipo de agress\u00e3o atinge majoritariamente meninas de at\u00e9 19 anos, que foram v\u00edtimas em 1,9 mil desses\u00a0casos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1643014&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1643014&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>No entanto, os dados, rec\u00e9m divulgados pelo Atlas da Viol\u00eancia, provavelmente est\u00e3o subnotificados, j\u00e1 que a viol\u00eancia sexual nem sempre \u00e9 denunciada, principalmente quando as v\u00edtimas s\u00e3o crian\u00e7as e adolescentes. E dentro desse grupo, aquelas que t\u00eam alguma defici\u00eancia est\u00e3o ainda mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;O que torna uma crian\u00e7a com defici\u00eancia mais exposta \u00e0 viol\u00eancia sexual s\u00e3o os contextos de depend\u00eancia for\u00e7ada, isolamento, invisibilidade e silenciamento, perpetuados tanto no \u00e2mbito familiar quanto institucional. Essas pessoas, historicamente, n\u00e3o foram reconhecidas como cidad\u00e3os plenos, tampouco como pessoas com direitos sexuais e reprodutivos. Isso contribui para que sejam vistos como assexuados, infantis ou incapazes de relatar abusos, criando um cen\u00e1rio de impunidade e invisibiliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia&#8221;, explica a psic\u00f3loga Marina Poniwas, ex-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio do que muitas pessoas &#8211; inclusive abusadores &#8211; pensam,\u00a0<strong>as crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia podem sim compreender a viol\u00eancia sexual, e demonstrar quando s\u00e3o v\u00edtimas.<\/strong>\u00a0De acordo com Marina, para isso \u00e9 preciso &#8220;reconhecer que o cuidado deve ser compartilhado entre Estado e sociedade, com servi\u00e7os p\u00fablicos acess\u00edveis, integrados e comprometidos com a equidade&#8221; e educar todos os elos dessa corrente:<\/p>\n<p>&#8220;Fam\u00edlias, cuidadores e profissionais da rede de prote\u00e7\u00e3o precisam ser formados e sensibilizados para identificar os sinais n\u00e3o verbais de sofrimento, respeitar os modos diversos de comunica\u00e7\u00e3o, e, sobretudo, criar espa\u00e7os acess\u00edveis para que essas crian\u00e7as e adolescentes possam compreender o que \u00e9 viol\u00eancia, saber que n\u00e3o \u00e9 culpa delas e que h\u00e1 canais de apoio dispon\u00edveis&#8221;, complementa a psic\u00f3loga,\u00a0que\u00a0representa o Conselho Federal de Psicologia no Conanda.<\/p>\n<h2>Eu me protejo<\/h2>\n<p>A jornalista Patr\u00edcia Almeida se viu diante dessa necessidade com o crescimento da filha Amanda, que tem s\u00edndrome de down. Ela cresceu enquanto a fam\u00edlia vivia na Sui\u00e7a, onde a educa\u00e7\u00e3o inclusiva n\u00e3o \u00e9 regra. Ao voltarem para o Brasil, Patr\u00edcia viu que a filha precisava de educa\u00e7\u00e3o sexual para conviver de forma saud\u00e1vel na nova escola e ent\u00e3o se tornou co-autora do projeto Eu me Protejo, que desde 2020 disponibiliza materiais educativos, com mensagens para as crian\u00e7as, e tamb\u00e9m orienta\u00e7\u00f5es mais detalhadas para familiares e profissionais de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e outras institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;\u00c9 uma t\u00e9cnica que se chama linguagem simples, que \u00e9 um recurso de acessibilidade para pessoas com defici\u00eancia intelectual, mas que acaba atendendo a um p\u00fablico muito maior. Ent\u00e3o s\u00e3o frases curtas, diretas, declara\u00e7\u00f5es autoexplicativas, que todo mundo entende de uma maneira f\u00e1cil e direta&#8221;, acrescenta Patr\u00edcia.<\/p><\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><img decoding=\"async\" title=\"Foto divula\u00e7\u00e3o\" src=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/Z0yL3kHO3mALZLLxA2xQAtXf2kE=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2025\/05\/17\/captura_de_tela_2025-05-17_113842.jpg?itok=dYU_1vEV\" alt=\"Bras\u00edlia  - 17\/05\/2025 Imagens da cartilha Eu me Protejo. Foto divula\u00e7\u00e3o\" \/><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<h6 class=\"meta\"><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o do projeto Eu me protejo<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A cartilha b\u00e1sica do projeto, por exemplo, explica para as crian\u00e7as o que s\u00e3o as partes \u00edntimas e que elas n\u00e3o podem ser tocadas por outras pessoas exceto \u00e0quelas de confian\u00e7a, em situa\u00e7\u00e3o de cuidado<\/strong>.\u00a0<strong>Tamb\u00e9m alerta as crian\u00e7as para n\u00e3o aceitarem presentes em troca de carinhos, nem convites para ir a lugares reservados.<\/strong>\u00a0Ainda h\u00e1 mensagens que encorajam os pequenos a buscar ajuda quando algo estranho acontecer, mesmo que essa situa\u00e7\u00e3o envolva algum familiar.<\/p>\n<p>Desde quando foi criado em 2020, o Eu me Protejo cresceu em quantidade de materiais e hoje oferece material multim\u00eddia com acessibilidade\u00a0e orienta\u00e7\u00f5es para p\u00fablicos espec\u00edficos. Atrav\u00e9s de parcerias com o Governo Federal e diversos estados e prefeituras, o projeto tamb\u00e9m vem oferecendo forma\u00e7\u00e3o para profissionais de educa\u00e7\u00e3o e das redes de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p><strong>Ela ressalta a import\u00e2ncia de acolher as crian\u00e7as com defici\u00eancia em escolas regulares, inclusive para prevenir viol\u00eancias.<\/strong>\u00a0&#8220;Muitas vezes, os pais t\u00eam esse argumento: eu quero que o meu filho v\u00e1 para uma escola especial para que ele seja protegido. Mas \u00e9 o o contr\u00e1rio, n\u00e9? A gente sabe que acontecem abusos em escolas especiais e muitas vezes eles ficam em segredo. Enquanto na escola regular uns est\u00e3o ali junto dos outros, aprendendo que al\u00e9m de gostar do seu pr\u00f3prio corpo e aprender a se proteger, voc\u00ea tem que respeitar o corpo do outro do jeito que ele for.\u00a0Com uma cor diferente do seu, uma apar\u00eancia diferente, com condi\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia ou n\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h2>Como denunciar<\/h2>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o sexual para crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 importante porque, de acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente do Rio de Janeiro, Cristiane Santana, a identifica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias cometidas contra elas por terceiros pode ser mais desafiadora.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Muitas crian\u00e7as com defici\u00eancia t\u00eam dificuldades para relatar o ocorrido ou as pessoas n\u00e3o acreditam quando elas tentam se expressar. Al\u00e9m disso, sinais de abuso podem ser confundidos com caracter\u00edsticas da defici\u00eancia, dificultando o reconhecimento por parte de familiares e de profissionais&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas presidente do conselho\u00a0ressalta que qualquer suspeita deve ser tratada com seriedade, o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. &#8220;<strong>Qualquer pessoa pode e deve denunciar ao Conselho Tutelar, \u00e0 pol\u00edcia ou ao Disque 100,<\/strong>\u00a0que recebe den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. Profissionais da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m t\u00eam papel essencial na identifica\u00e7\u00e3o e notifica\u00e7\u00e3o de casos&#8221;, Cristiane Santana.<\/p>\n<p>A partir da den\u00fancia, o Conselho Tutelar da regi\u00e3o pode acionar servi\u00e7os de assist\u00eancia social, sa\u00fade e seguran\u00e7a p\u00fablica para averiguar o caso e garantir o acolhimento e acompanhamento adequado da poss\u00edvel v\u00edtima. A psic\u00f3loga Marina Poniwas lembra que essa a\u00e7\u00e3o pode interromper uma situa\u00e7\u00e3o de grande sofrimento que causa danos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos, imediatos e ao longo da vida, &#8220;impactando o desenvolvimento emocional, a autonomia, os v\u00ednculos sociais e a pr\u00f3pria identidade, al\u00e9m de refor\u00e7ar processos hist\u00f3ricos de desumaniza\u00e7\u00e3o, invalida\u00e7\u00e3o da palavra e apagamento subjetivo, agravando quadros de exclus\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O Disque Direitos Humanos &#8211; ou Disque 100 &#8211; funciona 24 horas, todos os dias, incluindo s\u00e1bados domingos e feriados. O servi\u00e7o do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania recebe quaisquer den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos, incluindo viol\u00eancias cometidas contra crian\u00e7as e adolescentes. Basta discar o n\u00famero 100 de qualquer aparelho fixo, ou celular, em todo o Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase 2,4 mil\u00a0crian\u00e7as e adolescentes com defici\u00eancia sofreram viol\u00eancia sexual no Brasil\u00a0em 2023.\u00a0Esse tipo de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":116692,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[17,4,6],"tags":[],"class_list":["post-116691","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-policial","category-saude"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116691"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116691\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":116693,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116691\/revisions\/116693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/media\/116692"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}