{"id":92998,"date":"2022-04-28T14:10:47","date_gmt":"2022-04-28T14:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/?p=92998"},"modified":"2022-04-28T14:23:21","modified_gmt":"2022-04-28T14:23:21","slug":"caso-donizetti-adalto-djalma-filho-e-absolvido-pelo-tribunal-do-juri-quase-24-anos-apos-o-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/caso-donizetti-adalto-djalma-filho-e-absolvido-pelo-tribunal-do-juri-quase-24-anos-apos-o-crime\/","title":{"rendered":"Caso Donizetti Adalto: Djalma Filho \u00e9 absolvido pelo Tribunal do J\u00fari quase 24 anos ap\u00f3s o crime"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-92999\" src=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizett.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizett.jpg 518w, https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizett-300x182.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<p>O ex-vereador e advogado Djalma Filho, de 63 anos, foi absolvido, pelo Tribunal Popular do J\u00fari, da acusa\u00e7\u00e3o de ser o mandante do assassinato do jornalista Donizetti Adalto dos Santos. O resultado da vota\u00e7\u00e3o do Conselho de Senten\u00e7a foi lido pelo juiz presidente da sess\u00e3o, Ant\u00f4nio Reis Noll\u00eato, por volta das 21h desta quarta-feira (27).<\/p>\n<p>O juiz destacou que o Minist\u00e9rio P\u00fablico pode recorrer da decis\u00e3o. Na vota\u00e7\u00e3o, o j\u00fari reconheceu a materialidade do crime, mas o ex-vereador n\u00e3o foi considerado autor do fato.<\/p>\n<p>O jornalista foi espancado e morto a tiros no dia 19 de setembro de 1998, no bairro Primavera, Zona Norte de Teresina. O julgamento ocorreu nesta quarta-feira (27), quase 24 anos ap\u00f3s o crime, depois de uma s\u00e9rie de adiamentos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da acusa\u00e7\u00e3o que havia contra Djalma Filho, ainda permanecem acusados de envolvimento no crime os motoristas S\u00e9rgio Ricardo do Nascimento Silva, Fabr\u00edcio de Jesus Costa Lima e os policiais civis Jo\u00e3o Evangelista de Meneses e Ricardo Lu\u00eds Alvez de Sousa s\u00e3o acusados de participar e presenciar o crime.<\/p>\n<p><strong>Alega\u00e7\u00f5es da defesa<\/strong><\/p>\n<p>O julgamento teve in\u00edcio por volta das 9h e encerrou ap\u00f3s cerca de 12 horas de julgamento. Foram ouvidas seis testemunhas de acusa\u00e7\u00e3o e defesa, al\u00e9m do ex-vereador. Durante depoimento, ele negou qualquer envolvimento no crime.<\/p>\n<p>\u201cVossa excel\u00eancia, eu n\u00e3o tenho nenhuma participa\u00e7\u00e3o no crime. Vossa excel\u00eancia est\u00e1 diante de algu\u00e9m que merece ter o nome recuperado para honrar a minha fam\u00edlia e a mem\u00f3ria de meu pai\u201d, afirmou o r\u00e9u durante o julgamento.<br \/>\nEm 1998, Djalma e Donizetti Adalto eram candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente, pelo mesmo partido, o PPS. Ele falou sobre a rela\u00e7\u00e3o na \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s est\u00e1vamos em uma parceria que juntava o que eu tinha de credibilidade, que merecia a vota\u00e7\u00e3o recebida, e ele que tinha algo a trazer para uma campanha, que \u00e9 a popularidade. Eu digo que essa combina\u00e7\u00e3o foi expressiva e bem aceita&#8221;, comentou Djalma.<\/p>\n<p>Ele relatou que os dois haviam participado de uma reuni\u00e3o sobre a campanha eleitoral quando ocorreu o crime. Donizetti e Djalma Filho estavam em um carro passando pela Avenida Marechal Castelo Branco, quando um motoqueiro parou o carro. Djalma conduzia o ve\u00edculo e Donizetti estava no banco de passageiro.<\/p>\n<p>Ele contou que abaixou o vidro do ve\u00edculo por ter se assustado com a abordagem. Em seguida, ele relatou ter sa\u00eddo do carro correndo. Djalma afirmou ter visto Donizetti saindo do ve\u00edculo tamb\u00e9m. Ele disse que foi em dire\u00e7\u00e3o a outro ve\u00edculo para n\u00e3o ser baleado.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu me afasto do carro e vou para o ve\u00edculo de Brito, eu tenho como me desvencilhar dos disparos&#8221;, disse.<\/p>\n<p>O ex-vereador relatou que levou Donizetti para o pronto-socorro, contudo, o jornalista n\u00e3o resistiu e faleceu.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-93000\" src=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizet2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizet2.jpg 519w, https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/donizet2-300x208.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>Julgamento adiado tr\u00eas vezes<\/strong><\/p>\n<p>A sess\u00e3o de julgamento foi adiada por tr\u00eas vezes nos \u00faltimos seis meses. Na primeira vez que a sess\u00e3o foi adiada, o acusado alegou que n\u00e3o tinha advogado.<\/p>\n<p>Na segunda, o advogado que assumiu o caso pediu tempo para se inteirar dos autos do processo. Em outra tentativa, no dia 24 de mar\u00e7o, a defesa n\u00e3o pode comparecer.<\/p>\n<p>O julgamento foi marcado mais de 20 anos depois, depois que foram inclu\u00eddos novos laudos periciais, de an\u00e1lises produzidas ainda em 1998. As an\u00e1lises foram feitas em armas de fogo que teriam sido utilizadas no crime.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o dos laudos periciais no processo ocorreu a pedido da defesa do ex-vereador Djalma Filho em 2019, e o juiz acolheu parcialmente. Outras solicita\u00e7\u00f5es semelhantes por per\u00edcias e laudos t\u00e9cnicos j\u00e1 haviam sido feitas antes pela defesa.<\/p>\n<p>De acordo com o laudo, dois proj\u00e9teis encontrados no corpo de Donizetti Adalto foram disparados por uma das armas analisadas, um rev\u00f3lver calibre 38 da marca Rossi.<\/p>\n<p>Os laudos periciais teriam sido encontrados apenas em 2021. Com a inclus\u00e3o no processo, o julgamento estava pronto para ser iniciado, 24 anos ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<p><strong>Depoimentos<\/strong><\/p>\n<p>Em depoimento, o policial militar Raimundo Adalberto Viana relatou que estava a caminho de casa quando presenciou os quatro acusados dentro de um ve\u00edculo por volta da meia-noite do dia de setembro de 1998. Segundo ele, tr\u00eas dos ocupantes desceram para agredir e efetuar disparos de arma de fogo contra a v\u00edtima.<\/p>\n<p>A comerciante Aurilene da Silva Alves, que, na ocasi\u00e3o, morava na Avenida Marechal Castelo Branco, no bairro Primavera, em Teresina, tamb\u00e9m presenciou o crime.<\/p>\n<p>\u201cEu lembro que era v\u00e9spera do meu anivers\u00e1rio, eu e meu ex-noivo decidimos assistir um filme. A gente colocou pra rebobinar a fita e fomos sentar na cal\u00e7ada. Foi quando a gente viu um carro escuro parado, normal, uma avenida. Pouco tempo depois, parou um segundo carro. Esse carro fez a volta e parou do outro lado. Logo depois, a gente ouviu os tiros, assustou e recuou\u201d, relatou.<br \/>\nR\u00e9u alegou ter sofrido tentativa de assalto<br \/>\nConforme relatos dos acusados e de outras testemunhas no processo, no dia do crime, Djalma teria conduzido o ve\u00edculo com Donizetti no banco do passageiro, dando ordem para que S\u00e9rgio Ricardo do Nascimento Silva, em uma Kombi usada em campanha pol\u00edtica, seguisse o carro.<\/p>\n<p>Nesta quarta (27), Maria Gorete Moura Rodrigues prestou depoimento como informante. Na ocasi\u00e3o, a mulher trabalhava com o ent\u00e3o vereador Djalma Filho. Durante o relato, ela revelou que, no dia do crime, ap\u00f3s o fim do expediente, aguardava o r\u00e9u em um restaurante.<\/p>\n<p>\u201cFomos orientados por ele a ir para um restaurante. L\u00e1, ele me ligou [pedindo] que a gente aguardasse que ele estava chegando. Em seguida, ligou novamente e eu ouvi uns gritos. A\u00ed desliguei, achei at\u00e9 que era um trote. [Ligou] de novo e ouvi a palavra assalto. Nisso passei pro \u00c1lvaro e s\u00f3 ouvi ele dizer \u2018pronto-socorro\u2019. Foi quando, de fato, vi que tinha acontecido alguma coisa\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo Maria Gorete, ap\u00f3s o telefonema, ela e o amigo \u00c1lvaro foram ao Hospital Get\u00falio Vargas (HGV) para encontrar Djalma.<\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 no hospital, Djalma estava muito nervoso, n\u00e3o dizia coisa com coisa. De repente, chegou outro rapaz e me disse que Donizetti havia sido baleado. Depois uma pessoa disse que ele morreu. Dali, a fam\u00edlia do Djalma levou ele pro Prontocor, acho que por problema de sa\u00fade. Depois o que soube foi pela m\u00eddia\u201d, completou.<\/p>\n<p>&#8220;Era como se f\u00f4ssemos uma fam\u00edlia&#8221;<\/p>\n<p>Em 1998, a executiva de contas Patr\u00edcia Gon\u00e7alves da Silva coordenava a campanha eleitoral de Djalma Filho e do ent\u00e3o candidato a deputado federal Donizetti Adalto. Durante depoimento, a mulher relatou uma conviv\u00eancia amig\u00e1vel entre r\u00e9u e v\u00edtima.<\/p>\n<p>\u201cA cada 10 votos do Donizetti, quatro eram convertidos para Djalma. Na minha cabe\u00e7a, pelo hist\u00f3rico que ele tinha como pol\u00edtico, tanto ele como Donizetti seriam eleitos. Nunca, nem em viagem, e eu ficava praticamente 24 horas com eles dois, presenciei uma altera\u00e7\u00e3o de voz entre eles. As despesas eram divididas entre os dois e nunca presenciei uma discuss\u00e3o entre eles\u201d, informou.<br \/>\nEm julgamento, a mulher tamb\u00e9m relatou que foi contra a contrata\u00e7\u00e3o do motorista de Donizetti, S\u00e9rgio Ricardo do Nascimento Silva, um dos acusados do crime.<\/p>\n<p>\u201cA gente vivia numa harmonia muito grande e quando ele chegou, ele chegou com uma arma, botou em cima da mesa e eu disse \u2018n\u00e3o quero arma dentro do Comit\u00ea\u2019. Eu me assustei com aquilo, a gente n\u00e3o andava com seguran\u00e7a. Era muito leve a campanha e, quando ele chegou armado, chamei o Donizetti e disse \u2018voc\u00ea contratou ele, mas n\u00e3o quero ele dentro do Comit\u00ea, \u00e9 seu seguran\u00e7a, voc\u00ea deixa ele l\u00e1 fora&#8217;\u201d, contou.<\/p>\n<p>S\u00e3o acusados do crime e ir\u00e3o a julgamento:<\/p>\n<p>Fabr\u00edcio de Jesus Costa Lima, motorista;<br \/>\nJo\u00e3o Evangelista de Meneses, conhecido como &#8216;Pez\u00e3o&#8217;, policial civil;<br \/>\nRicardo Lu\u00eds Alvez de Sousa &#8211; policial civil;<br \/>\nS\u00e9rgio Ricardo do Nascimento Silva, motorista.<\/p>\n<p><strong>O crime<\/strong><br \/>\nO jornalista paraense Donizetti Adalto foi espancado e assassinado a tiros na madrugada do dia 19 de setembro de 1998, na Avenida Marechal Castelo Branco, no bairro Primavera, em Teresina.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca ele era candidato a deputado federal pelo PPS. O ex-vereador Djalma Filho estava no carro com a v\u00edtima e, conforme den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico, teria sido o mandante do crime.<\/p>\n<p>Conforme relatos dos acusados e de outras testemunhas no processo, Djalma teria conduzido o ve\u00edculo com Donizetti no banco do passageiro, dando ordem para que S\u00e9rgio Ricardo do Nascimento Silva, em uma Kombi usada em campanha pol\u00edtica, seguisse o carro. Assim tamb\u00e9m, outro carro deveria acompanh\u00e1-los para que Djalma pudesse fugir ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<p>Em um determinado momento, conforme o processo, a Kombi interceptou o ve\u00edculo onde estava Donizetti e dois homens desceram do ve\u00edculo, que seriam S\u00e9rgio Ricardo do Nascimento e Jo\u00e3o Evangelista de Meneses, o Pez\u00e3o. Dois tiros foram disparados por eles e o jornalista morreu no local. Um deles teria dado ainda coronhadas em Donizetti, para confirmar se estava morto.<\/p>\n<p>Djalma foi visto correndo em dire\u00e7\u00e3o ao outro ve\u00edculo, assim como o autor dos disparos retornou \u00e0 Kombi. Em depoimento, o ex-vereador Djalma filho afirmou que os dois foram abordados por homens em motocicletas, o que foi negado pelas testemunhas e pelos outros envolvidos no caso, alguns dos quais confessaram participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Valores entre R$ 1 mil e R$ 6 mil teriam sido pagos para os envolvidos no crime. Quebra de sigilo telef\u00f4nico e banc\u00e1rio, conforme a den\u00fancia, indicaram a rela\u00e7\u00e3o entre os acusados.\u00a0 G1-PI<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-vereador e advogado Djalma Filho, de 63 anos, foi absolvido, pelo Tribunal Popular do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":93000,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[17,4,2],"tags":[],"class_list":["post-92998","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaques","category-policial","category-politica"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92998","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=92998"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92998\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":93002,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/92998\/revisions\/93002"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/media\/93000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=92998"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=92998"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/maispiripiri.com.br\/2021\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=92998"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}