Número de transações do Pix tem queda recorde sob onda de fake news

Número de transações do Pix tem queda recorde sob onda de fake news

15 de janeiro de 2025 às 16:32Por Redação

Sob uma onda de fake news e dúvidas entre os brasileiros sobre tributação, Pix registrou, nos primeiros dias de janeiro, sua maior queda no volume de transações desde o lançamento, em novembro de 2020. Dados do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI) do Banco Central mostram que, entre 4 e 10 de janeiro, foram realizadas 1,250 bilhão de operações, uma redução de 10,9% em comparação ao mesmo período de dezembro. Essa retração superou o recuo registrado em janeiro de 2022, quando o volume caiu 7,5% em relação ao mês anterior.

Esse intervalo de dias geralmente concentra o maior número de transações do mês, pois coincide com os pagamentos de salários, tornando-se um período estratégico para avaliar tendências no uso do Pix. O declínio registrado pode refletir preocupações geradas pela nova norma da Receita Federal, que ampliou a fiscalização sobre movimentações financeiras de consumidores e empresas, gerando temor de que o alcance tributário aumente, especialmente entre autônomos e informais. A Receita, entretanto, nega que pequenas transações sejam o foco da medida.

O Pix, que já havia atingido quase 6 bilhões de transações mensais até o fim de 2024, movimentando cerca de R$ 2,5 trilhões, continua sendo o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, à frente de cartões de débito e dinheiro em espécie. Mesmo com a redução registrada em janeiro, o sistema permanece essencial para milhões de brasileiros, consolidando-se como um marco na inclusão financeira e na digitalização das transações.

Vale lembrar que o Banco Central liquida no SPI apenas as operações entre instituições diferentes, enquanto transações dentro de um mesmo banco ou fintech são repassadas ao órgão apenas mensalmente. Essa dinâmica ajuda a esclarecer o impacto das novas regras e a entender como o Pix continua moldando o comportamento financeiro no país, mesmo em cenários de incerteza.

Fake news

Além do temor de que a Receita vá atrás de pequenos comerciantes e valores movimentados pela população, há também circulação de informações falsas envolvendo o Pix, como a criação de um novo tributo ou de que o sigilo bancário não será respeitado e o governo terá amplo acesso aos hábitos de consumo ou financeiros de cada um.

Nova norma

Não houve nenhuma novidade específica sobre o Pix na nova norma da Receita. A partir de 1º de janeiro, o Fisco ampliou o rol de instituições que são obrigadas a prestar informações financeiras de seus clientes e consolidou dados que recebia em dois documentos diferentes até 2024 em apenas uma declaração, a e-Financeira. A prestação de informações já ocorre há mais de 20 anos.

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