Após 20 anos, rapaz supera vício em drogas com ajuda de delegado de Piripiri

Após 20 anos, rapaz supera vício em drogas com ajuda de delegado de Piripiri

29 de abril de 2014 às 22:43Por Rodolfo Valentim

jungDelegado Gustavo Jung e Flávio Robert, com seu certificado de graduação (Foto: Gustavo Jung/Arquivo pessoal)

O metalúrgico Flávio Robert Pereira Ferreira foi usuário de drogas por 20 anos. Tempo em que foi preso inúmeras vezes por furto e roubo, crimes praticados para manter o vício. Sem contato algum com a família, a única pessoa que o ajudou foi também a mais improvavél, o agente da lei que o repreendia pelos delitos.

Nesta semana, um ano após essa íncrivel interação, Flávio recebeu o certificado de graduação pelo “Programa de Tratamento em Dependência Química” da comunidade terapêutica Fazenda da Paz e o dedicou ao delegado Gustavo Jung, que o prendeu por tantas vezes no município de Piripiri, a 164 km de Teresina.

“Delegado, eu agradeço a minha vida ao senhor. Se hoje estou aqui e não fui morto por nenhum traficante, ou mesmo por conta dos efeitos da droga, é porque o senhor foi a única pessoa que confiou em mim”, disse Flávio ao delegado em seu discurso de agradecimento nesse domingo (27).

Para Gustavo Jung, saber que o Flávio saiu do mundo das drogas é gratificante. “Na época, muitas pessoas chegaram a me falar que isso era perda de tempo, mas eu acreditei na força de vontade dele. Eu perguntei se aceitava tratamento e ele disse que sim. Então, busquei ajuda para conseguir interná-lo. Mesmo convivendo diariamente com as mazelas da sociedade, eu acredito no ser humano. Eu acho que faltam oportunidades”, disse o delegado, que foi a única pessoa convidada pelo ex-dependente para a solenidade.

Auxílio improvável
Em uma das dezenas de vezes em que o ex-dependente químico foi preso, Gustavo teve uma conversa com Flávio e perguntou o que ele estava fazendo da vida. “Eu lembro que quando fiz essa pergunta ele respondeu: doutor, eu não preciso ser preso, eu preciso é de tratamento. Sou viciado em droga e roubo para manter o vício”, afirmou o Delegado lembrando a conversa ocorreu em janeiro de 2013.

Dias após essa conversa, um estelionatário foi preso no município se passando por voluntário da Fazenda da Paz e para confirmar que se tratava de um falsário, o delegado entrou em contato com a coordenação da comunidade terapêutica. Foi aí que surgiu a oportunidade de tratar do caso do preso que era dependente químico.

“Conheci o Célio Luz, presidente da Fazenda da Paz, e perguntei se era possível internar o Flávio para que ele fizesse um tratamento. Muito solícito, ele respondeu positivamente. E quando o Flávio Roberto foi preso novamente, dessa vez pelo furto de uma cadeira, eu perguntei se ele aceitava mesmo o tratamento. Ele disse que sim e eu conversei com o juiz, que autorizou a internação”, relembra Jung.

O próprio delegado, com a ajuda de uma médica da cidade, custeou os exames que Roberto Pereira necessitava fazer antes da internação na comunidade e também comprou os objetos pessoais que ele precisava levar para a Fazenda da Paz.

Livre da dependência química, Flávio permanecerá morando na comunidade terapêutica. Segundo o delegado, a permanência do ex-usuário também acontecerá por uma opção pessoal em ajudar outros usuários a vencer o vício. Além de ajudar na recuperação, ele conquistou a responsabilidade de comandar a oficina de metalúrgica da Fazenda da Paz.

Junto com Flávio, outros sete ex-usuários de drogas passaram por tratamento e receberam o certificado, estando todos aptos a retornar a sociedade sem o vício.

Fazenda da Paz
A Fazenda da Paz é uma entidade sem fins lucrativos e tem como objetivo prevenir, tratar e reinserir o farmacodependente e alcoólatra. O espaço foi criado em 1994 e possui três Comunidades Terapêuticas: “Terra da Esperança”, “Flor de Maria” e “Luz e Vida”.

A prevenção acontece através de palestras educativas e preventivas ao uso indevido de drogas e álcool. O tratamento ocorre por meio de internações e acompanhamento semanal dos familiares e a reinserção social com a prática de diversas oficinas, como as de capacitação na área agrícola, agroindústria, marcenaria e serralharia, cursos de informática e mecânica de carro e os projetos de ovinocultura e piscicultura. G1-PI

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