Criança receberá derivado da maconha em decisão inédita da justiça do PI

Criança receberá derivado da maconha em decisão inédita da justiça do PI

11 de novembro de 2014 às 18:26Por Rodolfo Valentim

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O desembargador Luiz Gonzaga Brandão de Carvalho, do Tribunal de Justiça do Piauí, deu uma liminar inédita no Estado autorizando o uso medicinal do canabidiol, substância extraída da maconha. A decisão é em favor de um bebê de 2 anos e sete meses, portadora do síndrome de West, que é uma forma grave de epilepsia em criança.

É a primeira decisão no Estado. O desembargador determina que a Secretaria Estadual de Saúde adquira o medicamento num prazo de 30 dias e entregue a família.

A venda do canabidiol é proibida no Brasil e precisa ser importado, e só com a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. O medicamento custa em torno de R$ 1.200,00.

A ação foi impetrada pela Defensoria Pública do Piauí. Em sua decisão, o desembargador Brandão de Carvalho considerou que a criança já tentou todas as terapias disponíveis para debelar as crises epilépticas sofridas pela criança.

“…o médico responsável pelo seu tratamento, após certificar-se de seu uso em outros centros e relatos de pacientes que apresentaram melhora, decidiu prescrever o Canabidiol”.

O desembargador esclareceu ainda que a liminar não autoriza o cannabis sativa (maconha) como fonte terapêutica, mas tão somente um de seus componentes, o canabidiol, que, segundo os estudos científicos, é capaz de aliviar o sofrimento dos pacientes.

Na ação, a Secretaria de Saúde indeferiu o requerimento administrativo em razão de o canabidiol não figurar na relação do SUS. Na sentença, o desembargador ressaltou que o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo editou a resolução nº 268, de 07/10/2014, que regulamenta o uso do canabidiol nas epilepsias mioclônicas graves do lactente e da infância, refratárias a tratamentos convencionais.

Brandão ressaltou que o judiciário deve “dar primazia à vida e à saúde humana”.

Um grupo de professores de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, que estuda desde os anos 70 o canabidiol, divulgou documento que pede a legalização da substância no Brasil. Além do tratamento da síndrome de West, o medicamento tem ajudado os pacientes com mal de Parkinson.  cidadeverde

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