STJD decide excluir Grêmio da Copa do Brasil por racismo contra goleiro Aranha

STJD decide excluir Grêmio da Copa do Brasil por racismo contra goleiro Aranha

03 de setembro de 2014 às 22:43Por Rodolfo Valentim

E22A32C5BCB294992114CA2FEB39D

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu excluir o Grêmio da disputa da Copa do  Brasil de 2014, em julgamento que durou mais de três horas, realizado nesta quarta-feira à tarde,  no Rio de Janeiro. A exclusão do Tricolor gaúcho aconteceu por causa dos atos racistas de  torcedores do clube contra o goleiro Aranha, do Santos, durante jogo em Porto Alegre no dia 28 de  agosto.

O placar da decisão da 3ª Comissão Disciplinar do STJD foi de 5 a 0 pela saída do time, multa de  R$ 54 mil – R$ 50 mil pelas injúrias raciais, R$ 2 mil pelo rolo de papel higiênico arremessado no  gramado e R$ 2 mil pelo atraso na entrada do campo – e os torcedores identificados serão proibidos  de frequentar a Arena por 720 dias.

A diretoria gremista deve entrar com recurso a ser julgado pelo Pleno, em prazo estimado de 15  dias.

O Grêmio foi denunciado pela prática de ato discriminatório relacionado a preconceito em razão da  raça, conforme previsto no artigo 243-G do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). Na  ocasião, aos 42 minutos do segundo tempo, já com o placar de 2 a 0 a favor do time paulista,
Aranha ficou indignado e paralisou a partida para informar ao árbitro Wilton Pereira Sampaio sobre  a manifestação. Imagens exclusivas da ESPN flagraram a torcedora Patrícia Moreira chamando o  goleiro de “macaco”.

O procurador Rafael Vanzin mostrou prova de vídeos com matérias jornalísticas sobre o caso,  inclusive as imagens da ESPN. A Procuradoria do STJD pediu multa significativa e a exclusão do  Grêmio da Copa do Brasil.

A defesa gremista contou com dois advogados, Gabriel Vieira e Michel Assef Filho, que tentaram a  absolvição do clube ou a redução da pena. O Grêmio admitiu as ofensas racistas, mas alegou que  foram apenas cinco pessoas entre 30 mil que estavam no estádio, e ainda exibiu imagens de  campanhas contra o racismo promovidas pelo clube.

“Punir um clube por causa do ato de cinco torcedores é severamente pesado. O Grêmio é um dos  poucos torcedores que faz campanha contra o racismo e há muito tempo. O mundo real, e não o  mundo ideal desta Procuradoria, pode ter torcedores que vistam a camisa azul, preta e branca para  prejudicar o clube, e estou dizendo isso hipoteticamente. Não se pode confundir a repercussão com  extrema gravidade. Foram cinco pessoas no meio de 30 mil. Eu entendo que o Grêmio não podia  fazer nada a mais, o Grêmio fez campanhas, colaborou com a polícia, identificou os torcedores.
Uma punição neste caso seria um desestímulo a essas campanhas”, discursou Michel Assef Filho.

Pouco antes, o presidente do Grêmio, Fábio Koff, também deu o seu depoimento no tribunal  esportivo e destacou o impacto negativo que a exclusão da competição poderia causar:

“Essa é  uma noite histórica, ela não se limita somente ao fato ocorrido, ela atinge um clube com 111 anos  de existência, com uma escolinha de 1.100 crianças, das quais 1/3 são de cor. O prejuízo causado  ao mais elevado valor do clube, que é a imagem, é irreparável. Se a pena ocorrer, deve ter sentido  pedagógico e não ultrapassar limites. O Grêmio foi precursor em não dar subsídio a torcidas  organizadas”.

O árbitro Wilton Pereira e o assistente Carlos Berkenbrock também foram julgados por não terem  relatado inicialmente na súmula a situação, o que foi feito apenas em um adendo no documento ao  chegaram ao hotel, depois de terem visto o fato em notícias na televisão. Os dois explicaram que,  apesar da reclamação de Aranha durante o jogo, eles não puderam ouvir ou ver as manifestações  racistas naquele momento.  MSN

Notícias Relacionadas

  • 6 de março de 2026

Captações simultâneas de órgãos no Piauí beneficiam 10 pacientes na fila de transplantes em cinco estados

  • 6 de março de 2026

Justiça manda prender goleiro Bruno após ele descumprir condicional

  • 6 de março de 2026

Moraes nega conversas com Vorcaro no dia em que banqueiro foi preso

  • 6 de março de 2026

Comerciante se aproveitava da compra de bombons por crianças para cometer abusos no Piauí