Delegada repudia vazamento de depoimento do caso da comandante de Guarda morta em Teresina: ‘jamais a vítima será culpada’

A delegada Nathalia Figueiredo, do Núcleo de Feminicídio do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), repudiou o vazamento do depoimento de uma testemunha do caso do assassinato de Penélope Brito, comandante de Guarda Municipal de Parnaíba, morta a tiros no Centro de Teresina.
“A vítima foi exposta e julgada através de informações que estão sendo analisadas no inquérito, e deixo muito claro que jamais a vítima será culpada por ter sofrido um crime tão cruel“, disse a delegada em entrevista a TV Clube nesta quarta-feira (3).
O crime aconteceu no dia 27 de agosto. Além de Penélope, o vereador Thiciano Ribeiro (PL) também foi assassinado. O ex-marido da comandante, o guarda municipal Francisco Fernando de Oliveira Castro, foi preso pelo duplo homicídio e está à disposição da Justiça.
O conteúdo foi obtido por meio do sistema Processo Judicial Eletrônico (PJE), no qual juízes, advogados e servidores realizam os atos processuais de forma digital.
“Houve a veiculação de imagens não autorizadas. Foi um acesso não autorizado via PJE e repassou para a imprensa algo que não era para ser veiculado. [O depoimento] fazia parte de um procedimento policial que estava iniciando, era o auto de prisão em flagrante”, disse Nathalia.
“Tanto foi ilegal o acesso como foi amoral a veiculação. A forma como foi veiculado, não foi somente a imagem da vítima que foi posta em cheque, uma testemunha teve seu rosto divulgado amplamente. Isso foi de uma irresponsabilidade tremenda”, completou a delegada.
A delegada ressaltou ainda que a publicidade nunca pode ser maior que o direito à intimidade e à dignidade de uma pessoa. “E, nesse caso, não foi respeitado”, concluiu.


