
Descrita como uma liderança firme e ao mesmo tempo acessível, a comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi assassinada dentro da própria casa pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. O crime chocou a capital do Espírito Santo e interrompeu um período de quase dois anos sem registros de feminicídio na cidade.
Horas antes de ser morta, Dayse utilizou as redes sociais para falar sobre igualdade e os desafios enfrentados pelas mulheres. Em uma das publicações, feita no Dia Internacional da Mulher, escreveu: “Eu sou mulher, e é claro que meu trabalho já foi descredibilizado por isso! Eu sou mulher, e é óbvio que culturalmente eu fui ensinada a cuidar e não a liderar, mas eu lidero! Eu sou mulher, e é claro que eu já fui chamada de louca! Eu sou mulher, e sempre que imponho meus limites vão dizer que eu sou metida”.
No âmbito pessoal, a relação com o autor do crime já apresentava sinais de violência, segundo familiares. O pai da vítima, Carlos Roberto Teixeira, relatou episódios anteriores de agressão. “Já tirei ele de cima dela. Uma vez, flagrei ele tentando enforcar a Dayse”, afirmou. Ainda de acordo com ele, a filha havia decidido encerrar o relacionamento, o que não teria sido aceito pelo policial. O caso é tratado como feminicídio.
A comandante deixa uma filha de oito anos. A criança não presenciou o crime, pois estava com familiares do lado paterno. O velório foi realizado na tarde desta segunda-feira (23), reunindo autoridades, colegas de farda, amigos e familiares. O sepultamento ocorreu poucas horas depois, sob forte comoção. O caso foi registrado e será investigado pela Polícia Civil do Espírito Santo.
